quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Parque Nacional de Gorongosa * Moçambique

 Parque Nacional de Gorongosa, a recuperação de um paraíso perdido.

Um projeto de restauração que deu vontade de conhecer e apoiar depois de ver a reportagem da National Geographic. 
Há muito a dizer sobre este pedaço de natureza moçambicana. Há muito a falar sobre Gorongosa, sobre os animais, a natureza, o acampamento de Chitengo, as pessoas…as pessoas são sempre a melhor lembrança que trago das minhas viagens.
O Parque Nacional de Gorongosa, do qual podem obter mais informações no website, www.gorongosa.net, é um local histórico onde outrora era considerado um dos locais de África com maior quantidade e diversidade de animais selvagens. Macadona, o querido guia do Acampamento Chitengo, que se tornou um eterno amigo, mostrou-me um video tipo documentário,  da época áurea de Gorongosa. Haviam imensos leões, hipópotamos, zebras, elefantes, búfalos, rinocerontes, (etc) a correrem pelo Parque. Haviam muitas pessoas a visitarem, a observarem, a passarem dias no Acampamento. Gorongosa era um paraíso que foi totalmente destruído durante a guerra civil de Moçambique, entre os anos 80 e inicio dos anos 90. As árvores foram cortadas, a maior parte dos animais foram mortos, não só para o consumo e venda da carne, mas também para extração do marfim dos elefantes, da pele dos leões, corno do rinoceronte entre outras atrocidades. O paraíso desapareceu e só há cerca de 6 anos é que o Governo, juntamente com a Fundação Americana Carr, iniciaram um Projecto de Restauração e desenvolvimento do EcoTurismo. É, portanto, um projecto que merece todo o apoio e admiração.
Adorei visitar o Parque, tenho imensa pena de não ter visto os grandes animais, mas acredito que aos poucos Gorongosa vai voltar a ser o que era.
É delicioso ver os animais em liberdade. Gorongosa não é um Parque comum, os animais não estão condicionados como nos outros parques. Os animais correm em liberdade e atravessam os diferentes ecossistemas que existem. Não estão limitados por vedações para que o turista os possa observar, por isso nem sempre se consegeum ver os animais que se desejam. Por exemplo, eu não conseguí ver os leões e fiz 4 safaris. Para além de ainda serem em pequeno número, eles estão imprevisivelmente colocados. Depende também muito da perícia do nosso guia. É possível fazer safaris autónomamente, no nosso jipe, ou num carro do Acampamento com um guia. Há uma característica muito interessante neste Parque: á medida que vamos progredindo na picada vamos nos deparando com diferentes paisagens. Nenhum safari é igual ao outro e ao longo do mesmo safari não há monotonia. Segundo o guia Macadona, a isto se chamam Biomas (conjunto de vegetação que constitui um ecossistema) e existem 52  no Parque. Assim, poderemos passar por pradarias salpicadas por acácias, savanas com lagunas, florestas com imensas árvores, palmeirais, etc.
Ainda hoje, Gorongosa luta contra os caçadores furtivos, infelizmente. Existe um grupo de vigilantes, tipo um exército que faz a patrulha diáriamente.
O alojamento é possivel  no Acampamento de Chitengo, onde, para além de se poder acampar, também se providenciam cabanas, quartos ou tendas. O Restaurante é de excelente serviço tem comida fantástica por preços bastante acessíveis. As actividades também têm preços acessiveis. Tem uma piscina muito apetecível no calor do interior africano. Podem consultar tudo isto no website, na secção Turismo.
Optei por chegar ao Parque através de um vôo para Chimoio a partir de Maputo com a LAM.  Tinha reservado um transfer com o Parque a partir deste aeroporto,que durou cerca de 3 horas de carro (mas teria demorado menos se o carro fosse melhor, segundo o motorista que nos foi buscar; pelos vistos o carro do Parque avariou pelo caminho e chamaram aquele senhor). Aconselho a pararem pelo caminho num hipermercado que existe em Chimoio para comprarem produtos para os lanches e água (fica mais económico). O excelente pequeno almoço é oferta do alojamento. Fiquei 5 noites e devo ter engordado um kilo por dia J A comida é muito semelhante á nossa, a sopa é óptima, os peixes também. Adorei o peixe serra e a garoupa. Todos os dias há um prato do dia diferente. O serviço é lento, mas estamos em África onde não parece haver stress, mas de uma simpatia inegualável.
Uma actividade diferente que nos ocupou um dia inteiro foi a Caminhada á montanha de Gorongosa, que é considerada a 4ª montanha mais alta de Moçambique. Fizemos um percurso de carro até chegar a uma entrada da montanha e a partir daqui caminhamos cerca de 1 hora até chegar a uma enorme queda de água. A maior que já ví na minha vida e não estava no seu potencial máximo por estarmos na época seca. O seu nome é Cascata de Murombodzi, que significa “rio provisório”, segundo o nosso guia castiço, o jovem Tonga. Pelo caminho passamos por uma cobra muito venenosa, a Mamba Verde, que felizmente estava morta. Tomamos banho no chuveiro da cascata, almoçamos num simpático pic-nic transportado pelos nossos guias e ficamos umas horas a comtemplar e a trocar informações sobre os nossos países. Tonga tem 21 anos, tem o 12º anos e desejava tirar o curso de biologia na África do Sul ou na Europa para um dia trabalhar num projeto de ecologia. Tonga é muito defensor do ambiente e tem profunda irritação pelos seus amigos que não querem ouvir falar de ecologia.
Pelo caminho, até esta montanha, passamos por imensas aldeias no caminho interior da serra, que vivem da agricultura. São constituídas por famílias numerosas e as crianças, apesar de iirem á escola, também trabalham árduamente no campo. Passamos por crianças com cerca de 5 anos de enchada na mão. Não existem brinquedos, correm para o carro a pedirem canetas. Eu trouxe tantas canetas e lápis de cor para oferecer, mas não trouxe naquela pequena viagem porque não sabia que iria passar por aldeias, mas na mochila tenho uma caixa de giz de cor. Os gritos de alegria quando os entrego na mão de um pequenino. Que alegria, uma alegria que já não vemos nos olhos das crianças europeias quando recebem algo tão simples como uma caneta! Aconselho a trazerem material escolar. Todos nos acenam, todos sorriem para nós. As mulheres trabalham na agricultura com os seus bébés nas costas, amarrados por lenços. Na cabeça trazem os seus produtos, elegantemente equilibrados.








No regresso parámos na “cidade” de Gorongosa e fomos ao mercado. Todos querem uma fotografia, todos, mais uma vez, nos sorriem.






Saio feliz de Gorongosa, porque estive num local histórico, que está a trabalhar viemente para recuperar a vida selvagem, que respeita a Natureza e que tem pessoas fantáticas, que gostam de animais a fazerem o seu trabalho. Gostaria de voltar daqui por uns anos e ver que Gorongosa cresceu, que os animais multiplicaram-se e que voltaram a correr felizes na savana. Eu estive aqui, quando o projecto estava a iniciar e vou poder dizer isso aos meus descendentes. E espero poder dizer também: não tem comparação, há muito mais vida a correr por aqui, África conseguiu recuperar o que o homem destruiu e a força da vida e da Natureza, prevaleceu. Saio com as lágrimas nos olhos, porque sentí saudade mal atravessei o portão de saída, mas sei que vou voltar.
A Joana chora também de alegria e agradece-me tê-la levado lá…isto é inspirador, porque a minha amiga não era grande apreciadora de animais e desde a viagem que partilhou comigo ao Elephant Nature Foundation na Tailândia, não regressou a mesma. Agora é uma nature lover J
Obrigado Gorongosa! See you soon…
Uma pequenina amostra das imagens que trago na máquina e no coração…


Um Cudo

Um grande rio debaixo da vegetação

Uma linda árvore africana

Uma família de impalas




Á espera dos elefantes na Lagoa do Paraíso


Os elegantes impalas (machos)

Pôr-do-sol na savana

Um jovem elefante acabado de se banhar

Imbabala

Uma família de babuínos

O jovem a cheirar o nosso jipe com a tromba




Delicioso peixe-serra

Outro por-do-sol especial


Um hipópotamo (foto cedida por Macadona)

WC feminino numa aldeia

WC masculino numa aldeia

Uma casinha de aldeia

Acampamento de Chitengo

A piscina de Chitengo


Macaco de cara preta

Um dos ecossitemas

Outro ecossistema
Os diferentes ecossistemas naturais no mesmo Parque são fascinantes




Uma águia pesqueira

Outro lindo Imbabala



O Facocero, mais conhecido por PUMA!! E os seus puminhas :)

Um Elefante atrás de um jipe num safari (foto cedida por Macadona)

Os jovens Leões de Gorongosa (foto cedida por Macadona)



Um Leão relaxado (Foto cedida por Macadona)

Um elefante chateado... ;)

O quarto no Acampamento de Chitengo


Os pumas e o macaco-cão






Uma familia de elefantes no final do dia






Um abutre







Á direita, o nosso guia Macadona

Joana e eu



Dois alunos de medicina, americanos, a fazerem voluntariado na comunidade de Gorongosa


Uma visita na piscina :)

domingo, 23 de outubro de 2011

Moçambique

Final de Outubro, 23 dias de enriquecimento pessoal, 1 País! Desta vez, um país com muito aroma português – Moçambique!

Estação comboios Maputo
Desde criança que o desejo de visitar a África negra era um dos meus sonhos. A génese, a origem da vida, a Natureza no seu estado puro, os grandes animais selvagens soltos nas savanas e nas montanhas, a simplicidade das gentes, o calor humano, a música, os bons temperos na gastronomia…tudo parecia estar neste pedaço de mundo,neste continente que é África. Terra de contrastes, de pobreza, riqueza, verdura, deserto, fartura, carência, alegria, tristeza. Um continente abençoado por tanta biodiversidade, por tanta VIDA!
Moçambique foi eleito como o princípio de uma caminhada por estas terras. Se até há alguns tempos me parecia inalcansável pelos preços exorbitantes das companhias aéreas, um achado na Ethiopia Airlines deu-me o alento que desejava – 580€ I/V Milão-Maputo. Excelente preço a contrastar com os 1000€ da TAP. Ok, o vôo não foi directo e ainda tive que comprar um vôo para Milão (170€) mas ainda assim pouparam-se uns trocos e Backpaker que é Backpaker sabe que todos os trocos são preciosos quando se viajam tantos dias sem rumo por um país.
Depois de um dia de aeroportos e aviões, chegada a Maputo, a antiga Lourenço Marques que muitas recordações traz a muitos portugueses. Imagino aquela cidade cosmopolita no passado. Agora, uma capital em ruínas, com edificios coloniais mal conservados, mas com algumas riquezas arquitetonicas admiráveis como é o caso da Estação Central de Comboios de Maputo, a Catedral de Nossa Senhora da Conceição e o Edificio do Centro Cultural Franco-Moçambicano.
O jardim Botânico próximo está em mau estado de conservação e cheio de lixo, tal como as ruas.
Valeu o final de tarde no Hotel Cardoso, que é conhecido, não só pela sua qualidade hoteleira, mas também pela vista do seu jardim, onde se encontra uma bela esplanada com a melhor vista sobre Maputo. É também o sítio de eleição para se comtemplar o pôr-do-sol, que daquela ponto parece estar a colocar-se sobre a água (quando em Moçambique este se coloca sobre o lado da terra,devido á sua localização Este sobre o Índico.
Tivemos o prazer de ter a companhia de Nuno, Manuel e Vasco, 3 emigrantes portugueses, 1 em Maputo, os outros 2 em Luanda. Viajo com a Joana. Quando nos viram e souberam que íriamos viajar sózinhas, sem guia, sem rumo, 3 semanas por Moçambique as reacções foram caricatas: “vocês não têm amor á vida”, “não têm mais que fazer ao dinheiro”, “não tinham mais países para visitar?”…sim, temos amor á vida, o dinheiro ganhamos para gastar nestas coisas e sim temos muitos países ainda por visitar, mas Moçambique é um deles! ;) Sei que parte do espanto destes queridos portugueses passou por verem 2 mulheres sózinhas em África, mas depressa entenderam que tenos postura de viajantes e sabemos estar num país, não com medo, mas com respeito! Para mim todo o mundo é habitável e explorável J Muita conversa interessante e um saudosismo nos seus olhos de que só sente uma emigrante. Devido ao estado económico e político de Portugal eu, pessoalmente, não consigo sentir aquele amor e admiração que estes três amigos sentem pelo nosso país. Só quando se vive fora é que se dá tanto valor, assim entendí. Um abraço para os três e um obrigado pelo belo momento de conversa ao pôr-do-sol de “Lourenço Marques”.
Tivemos a sorte de poder conhecer a nova Estátua,recém inaugurada em homenagem ao Fundador do Estado Moçambicano e primeiro Presidente da República, Marechal Samora Moisés Machal.
Uma noite brevemente dormida, um vôo interno com a LAM, de 1h30 para Chimoio e uma viagem de carro com um simpático senhor moçambicano que nos levou para Gorongosa. 3 horas de conversa com uma paragem para comprar uns abastecimentos de comida e água e fiquei a saber que Chimoio é uma zona maioritariamante agrícola, onde se plantam milho, batata doce, banana, maça, laranja…onde está o maoir aviário de Moçambique, que por acaso pertence a um português, que perto estão a começar a explorar uma mina de carvão e…não há muito mais a dizer sobre esta zona rural. Ví a imagem típica das mulheres africanas a deambular na beira da estradas, com os bebés nas costas, enrolados em lenços e produtos á cabeça.
E cheguei ao Parque Nacional de Gorongosa J
Check in num bungalow fantástico, chill-out na piscina, comida do restaurante maravilhosa de tempero, quantidade, qualidade. Uma refeição ronda os 7 euros. O serviço é simpático, mas lento, lento… J Não há stress por aqui, é com muita calma e descontração que estes amigos me lembram os Alentejanos…tudo tem tempo J A comida é surpreendente. É a primeira vez que aprecio tanto uma gastronomia como a do nosso país. Comí 2 peixes maravilhosos que pareciam carne, peixe-serra e peixe garoupa. O funcionário diz que recebem o peixe da Beira e de Chimoio. Questionei porque aqui estamos bem longe do mar.
Dentro do nosso Acampamento de nome Chitengo, em homenagem a um antigo guerreiro da região, circulam macacos, familias de javalis, sapos e garças…
Mas amanhã será o dia do primeiro safari. Na espectativa..vamos ver! ;)

sábado, 2 de julho de 2011

O dia em que fiz 31 anos! :)

O dia em que fiz 31 anos foi , não ao acaso, passado na capital do meu país de eleição - Tailândia!


Já vos disse como gosto de pronunciar a palavra Bangkok? :) 
Traz-me muitas sensações, todas as vezes que regresso a esta cidade! Aqui respira-se Ásia e vive-se em tailandês! É o meu porto de abrigo e a base de todas as partidas para outros destinos. Aqui, organizo, planeio a viagem, relaxo, abasteço-me, oro, alimento-me física e espiritualmente. Bangkok não é o retrato da Tailândia mais paradisíaca, rural ou turística, mas na capital vibra-se com o movimento geral - do rio, do trânsito, das orações, das vidas...uma cidade que não pára, mas que consegue parar-nos! 

Na viagem de avião da Air Asia com proveniência de Hanói, fui surpreendida no meu dia de anos (29 de Junho), pelas hospedeiras que me felicitaram pelo meu aniversário! 

Uma prendinha da Air Asia :)
Regressando á capital, deixei as malas no aeroporto e embarquei num taxi para o centro, mais propriamente para a zona que mais conheço, Banglamphu! Aqui está a famosa Khao San Road, a base dos backpackers e os mais bonitos e importantes monumentos e templos da cidade :)

Há sempre algo a explorar e desta vez, visitei o Grande Palácio Real e o Wat Pho!
O Grande Palácio Real é na realidade uma cidade murada que tem uma área de uma milha quadrada. No What Pho encontra-se o Buda Esmeralda, que é um exemplar de Buda esculpido a partir de uma única peça de Jade. Aqui reverencia-se Buda num Templo, que por si só é uma obra brutal de arquitectura e arte!
O Palácio Real, presentemente é utilizado apenas em ocasiões solenes.

Para entrar pagam-se 350 Bath e tem que se vestir uma indumentária muito rigorosa. Na entrada está afixado um cartaz com as regras do vestuário a usar, mas não se preocupem muito, porque com uma caução podem levantar calças e camisas para fazerem a visita de forma apropriada. Eu, por exemplo, apesar da saia comprida e lenço a cobrir os ombros e o decote, fui censurada e tive de vestir uma camisa deles :) Há que respeitar... vale a pena visitar este museu ao ar livre!

Comecei o dia com uma massagem tailandesa e terminei o dia com, adivinhem, outra massagem tailandesa! Posso dizer, que foi uma forma de festejar bem personalizada! Uns noodles feitos na Rua de Khao San para o jantar e umas compras foram a forma desejada para terminar a jornada antes do regresso á Europa!


Ficam as imagens do interior do Grande Palácio Real de Bangkok:

Wat Pho




Orações a Buda




Um protótipo do Angkor Wat do Cambodja




O Palácio Real

Guarda Real





HANÓI, breve passagem

No final da experiência de Halong Bay, uma passagem breve em Hanói para descansar antes do voo de retorno a Bangkok!

O Hotel escolhido foi o Hanói Spring Hotel, que tem uma localização óptima, mesmo ao lado da Catedral! Um quarto duplo com pequeno-almoço, A/C, wc privado e o pormenor de um Computador portátil no quarto, com ligação á internet, por 40 US dólares!

Tinha curiosidade em observar os vietnamitas a fazerem o famoso Tai Chi em redor do lago na cidade de Hanói! Outros reuniam-se para conviver e outros ainda para namorar. Um momento de relaxamento e lazer no início e no fim do dia :)

A Catedral a marcar forte presença católica

Tai Chi em grupo no Lago no Old Quarter